Educação em Moçambique

16/04/2011 04:53

Educação em Moçambique

 

Moçambique passou por períodos de guerra que prejudicou muito o desenvolvimento do país, a libertação da colônia portuguesa durou 10 anos, finalmente em 25 de julho de 1975, alcançou a paz que não durou por muito tempo, logo em seguida o país entrou numa guerra civil que trouxe maior devastão.

Após esses conflitos Moçambique tem tentado vencer todos os obstáculos que essas guerras deixaram, a principal é a extrema pobreza, na verdade não sabemos qual é a raiz dos problemas existentes, pois todos os problemas estão interligados.

“Apesar dos grandes avanços na expansão do acesso à educação, há que fazer muito pela melhoria da qualidade de ensino.

Um grande número de professores primários não tem formação adequada e foi introduzido o sistema dois ou três turnos para fazer face à  insuficiência de salas de aulas e professores. No EP1 (ensino primário do 1º grau), o rácio médio de professor-aluno é de 1 para 74.

A taxa de conclusão, que é o indicador chave para medir a qualidade de ensino,  continua baixo – quase metade das crianças em idade escolar no ensino primário abandonam a escola sem concluir a 5ª classe.

Além disso, muitas escolas não possuem infra-estruturas adequadas de água e saneamento, há falta de carteiras e cadeiras e material escolar nas salas de aula.

O impacto da pobreza e do HIV agravou as responsabilidades das escolas. Como consequência, as escolas são obrigadas a assumir responsabilidades que tradicionalmente eram das próprias famílias em relação à educação e cuidados, tais como a provisão de serviços de saúde e assistência psicossocial às crianças órfãs e vulneráveis.  

As crianças das famílias mais pobres, os órfãos e meninas são especialmente susceptíveis ao risco de abandonar a escola ou mesmo de não estudar.”

http://www.unicef.org/mozambique/pt/education.html

O curso de formação para professores é de um ano, após terminar o que seria o nosso segundo grau, os candidatos podem se escrever no curso de formação para professores.

Porém como a procura é grande, quem faz o candidato a ser aprovado, não é sua capacidade, mas sim se o candidato pagar propina para ser aprovado, aquele que pagar mais consegue a vaga.

A motivação da maioria dos candidatos a serem futuros professores é a estabilidade de um emprego, não pelo desejo de lecionar.

O Instituto de formação acabam formando professores, sem vocação. E desmotivados a enfrentar os problemas das salas de aulas.

Que são:

·         Salas super lotadas, tem sala com mais de 100 alunos, lugares para sentar somente 30 ou 40, onde os alunos brigam para sentar na carteira, muitos estudam sentados no chão.

·         Falta de materiais didáticos para estimular os alunos a pesquisa e  a melhor rendimento.

·         A fome, pois muitos não tem boa alimentação, onde já vão para a escola com fome, causando nestes falta de concentração e aproveitamento das aulas. E nas escolas não são oferecido merendas.

·         Miséria, para fazer matricula precisa de pagar, a maioria não tem condições de pagar, as escolas também exige uniforme, as familias tem mais de 4 filhos em idade escolar, portanto não tem condições de mante-los nas escolas.

·         Saúde, as crianças ficam doentes com frequência, malária, diarréia, e as doenças oportunistas devido ao HIV/sida.

·         Falta de expectativa de vida, a grande maioria não vê a educação como forma de melhoria de vida, pois a estimativa de vida aki é de 45 anos. Na cabeça deles o hoje que existe, o amanhã não se sabe, então é mais certo trabalhar hoje, plantando para colher, ao invés de estudar para se formar. Hoje a barriga doe de fome, o que fazer com um diploma? Como chegar tão longe, numa faculdade, se a base é difícil, e para muitos é impossível concluir.

Os professores despreparados e sem motivação acabam contribuindo para uma educação caótica.

É comum fim de ano ver os alunos entregando alguma coisa aos professores, não por gostar dele, mas sim para ser aprovado. Mesmo que o aluno tenha boa nota, se ele não entregar o que o professor pede, com certeza esse aluno será reprovado.

Nas escolas também é possível ver as plantações de alguns alimentos feito pelos alunos, nas quais eles são obrigados a trabalhar, ou como punição, mas esses alimentos não são para a merenda escolar, mas para os funcionários da escola.

Esta atividade é normal, para os educadores isso faz parte do cotidiano.

É comum ver aluno capinando o quintal do professor, trabalhando como empregado doméstico, cuidando de um filho pequeno como “babá”…etc, caso contrário com certeza reprovação.

E nas regiões mais rural e comum as alunos ter relações sexuais com os professores para alcançar a aprovação.

“As escolas, embora desempenhem um papel importante na protecção da criança, constituem outro espaço onde ocorre a violência. Esta, nestes ambientes,é cometida por professores e outros funcionários de escolas e pode incluir castigos corporais, violência sexual, discriminação baseada no género e intimidação.

Em Moçambique, a forma de violência na escola mais documentada é a violação e/ou abuso sexual. Estudos realizados revelaram que, em grande parte dos casos, o professor é o abusador, recorrendo a diferentes cenários: no primeiro, este oferece à menina que está com dificuldades na escola, a oportunidade de ser aprovada em troca de favores sexuais. No segundo, envolve a menina a ser chantageada para ter relações sexuais com o professor que a ameaça reprová-la, embora tenha resultados escolares adequados. O terceiro cenário, envolve o professor a forçar e assaltar sexualmente e a violar as estudantes do sexo feminino na própria escola ou em sua casa (SC UK, 2007).” www.redicem.org.mz   

Aqui em Moçambique o professor é que sabe tudo, o aluno não pode saber mais que o professor e nem alcançar 100%de aproveitamento, pois sofrerá perseguição deste professor, ou até mesmo ser expulsos das salas de aula.

“Os desafios do sector da Educação em Moçambique são ainda maiores se se considerar que se trata de um sector atravessado por um conjunto de práticas de corrupção nas suas variadas formas, as quais minam as possibiliades de alcance do chamado ensino de qualidade. Com salários baixos, sem incentivos nem motivação, vários profissionais da educação empurram-se para a busca de ganhos ilícitos através do comércio de notas e de vagas, da extorsão sexual e do absentismo, etc.

A corrupção no sector da Educação em Moçambique é uma realidade incontestável. A corrupção de parentes que pagam subornos aos professores para que os seus filhos transitem de classe é inclusivamente usada quando as pessoas são chamadas a definir o que é corrupção (Ética Moçambique, 2001:14). Mais concretamente, na experiência dos cidadãos com a corrupção em Moçambique, a exigência de suborno por parte dos professores aparece em segundo lugar num ranking traçado no estudo da Ética.

http://www.boletim.cip.org.mz

Outra questão social é, quem frequenta mais as salas de aulas são os meninos, pois muitas meninas sofrem a questão do casamento precoce, pois são submetidas a casamentos prometidos pela família, apesar dessa prática ser proibida no país, mas muitas famílias tradicionais ainda fazem isso.

Então meninas de 12 anos já entram  no casamento, logo engavidam e se enchem de filhos.

O maior índice de analfabetismo é do sexo feminino.

Deparamos também com uma péssima qualidade de ensino onde é possível encontrar alunos da quarta classe sem saber escrever o nome, não sabem ler, devido a aprovação automática e da corrupção.